Destaques Agro: Especialista aponta que café é mais um dos produtos que terá preço duramente afetado

Agro: Especialista aponta que café é mais um dos produtos que terá preço duramente afetado


Com a crise dos fertilizantes, o cenário do café é o mesmo que o de outros produtos agrícolas, que estarão em risco a partir de outubro.

A invasão da Ucrânia pela Rússia não deve afetar apenas o preço de commodities minerais, como petróleo e gás, mas também agrícolas. E uma das que devem sofrer com o conflito é o café — que corre o risco de se tornar um artigo de luxo. O alerta é do produtor Carlos Alberto Coutinho Filho, na entrevista de ontem no CB.Agro, parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília.

Ele explicou que o tempo de duração na guerra no Leste Europeu ditará se o café continua ou torna-se raro na mesa dos brasileiros.

“Se a situação continuar, teremos uma redução da oferta dos produtos. Os países que estão em guerra exportam fertilizantes a base de petróleo, e isso acarreta na dificuldade de importação brasileira desses mesmos produtos. O resultado disso é o aumento de preços, a diminuição da produtividade e, consequentemente, da produção”, observou.

Com a crise dos fertilizantes, o cenário do café é o mesmo que o de outros produtos agrícolas, que estarão em risco a partir de outubro — esta é o limite de duração, fixado pelos especialistas, para o estoque do insumo disponível no país.

“O ciclo do café é anual no Brasil: começa em maio e termina em agosto. É um período que consome fertilizante. Mas o período que mais se utiliza é logo depois da colheita, que estará no limite do estoque. Vamos depender do futuro e das questões da guerra”, previu.

Solo árido
Coutinho não se arriscou a prever as futuras safras, pois trabalha com o horizonte do estoque atual de adubo. Mas ele salienta que, no caso da produção de café no Distrito Federal, o panorama se complica devido às condições do solo do Cerrado — que, como lembrou, é mais pobre e requer maior cuidado e investimento.

“(O solo) é muito ácido e pobre. É necessária uma reposição maior de nutrientes do que em outras regiões”, observou.

Até mesmo a questão da falta de titularidade de terras impacta a produção de café no DF, porém Coutinho enxerga luz no fim do túnel. “Tivemos a regularização de alguns locais e esperamos que tudo isso ocorra para todos os produtores”, disse.

O produtor, porém, ressalta que o cafeicultor tem, hoje, um grande aliado: a tecnologia.

“Ajudou tanto os médios quanto os grandes produtores com máquinas melhores, condições de avaliação de solos, por meio de cooperativas”, salientou.

Com informações do Correio Braziliense

Bruno Muniz 02 abr 2022 - 17:29m

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