Destaques Detalhes da vida e morte de Padre Zuzinha – Por Clécio Dias

Detalhes da vida e morte de Padre Zuzinha – Por Clécio Dias


É um domingo, possivelmente em 1916, no sítio Várzea Grande, em Taquaritinga do Norte. Logo cedo, ainda é muito cedo, e “Domingo Pereira” prepara os burros e enche os caçuás de frutas, pois vai vender na feira. Sua esposa Maria também o ajuda. Os tempos são difíceis, no início do século passado, e aqueles dois camponeses labutam para sustentar a família. Aquela cena é linda de se ver: o esforço, os burros carregados com os caçuás no “lombo”.

Mas a cena vai ficar mais bonita depois que os camponeses forem embora, pois um menino com cerca de 11 anos de idade espera os pais irem embora, aguarda ansiosamente os burros sumirem na curva da velha estrada de terra… O menino então corre. Corre muito. Corre em direção aos seus vizinhos mais pobres, sobretudo os que moravam em casas de taipa, nas “taperas”, que passavam necessidade, que não tinham sequer direito de comer… Ele chama alguns. Grita por outros, chega a puxar alguns pelo braço, dizendo: “venham cá, me sigam”…

Os meninos e as meninas pobres, magricelas, com os joelhos mais largos que a coxa seguem aquele menino e quando chegam no sítio ele aponta para jacas, bananas, cajus e outras frutas… E com um uma voz generosa, mansa, sugere: “Podem comer o que quiserem, peguem tudo, encham o bucho”. Aqueles garotos magrelos, com fome, deixam escorrer o “suco” de caju nos lábios secos. Aqui acolá, chegam até a engolir um pedaço da casca das bananas, mas matam a fome… Abrem uma jaca e fecham os olhos mastigando…

O menino “José Pereira”, também chamado de “Zuzinha” assiste aquela cena e deixa o rosto se reclinar para o lado esquerdo, o lado do coração, e uma luz intensa domina seus olhos… Ele fica tão bem vendo aquela molecada se alimentando que nem se importa com os “carões” que vai levar do pai quando este perceber o desfalque nas frutas… Ele queria ser padre desde muito cedo. Seu pai chegou a proibir sua mãe de pedir que ele fosse nas bodegas, pois, pelo caminho, se ele encontrasse alguém necessitado, Ah, ele não hesitava… Certo dia, levou o dinheiro para comprar comida e voltou sem nada. O pai lhe perguntou: “Cadê o que mandei você comprar?” Ele inventava qualquer desculpa, mas o pai sabia que ele tinha doado a algum pobre que encontrou pelo caminho.

Em 1923, entrou para o seminário em Olinda e em 1933 foi ordenado pelo então Bispo Dom Ricardo de Castro Vilela na catedral de Nazaré da Mata! No dia 29 de junho de 1933, o menino do sítio Várzea Grande, o menino que dividia a comida com os pobres, apareceu no altar da igreja de Santo Amaro e celebrou sua primeira missa na Dália da Serra! As pessoas se emocionaram quando ele surgiu com a batina, agora era um padre, e as pessoas que ele ajudou tanto no passado, passavam as mãos nos olhos para enxugar as lágrimas, para explodir de emoção perante o caridoso Padre Zuzinha!

Algum tempo depois ele veio para Santa Cruz do Capibaribe, para morar na conhecida “Casa do Padre”, para ser o titular da paróquia, da igreja, para ser o maior líder, o líder mais humano que Santa Cruz conheceu e nunca terá outro igual.

Em 1968, foi candidato a prefeito e venceu! No ano seguinte, sofreu um atentado e foi atingido, sendo internado em Caruaru e se recuperou algum tempo depois…Em 1972, lançou um candidato (Braz de Lira) e venceu. Em 1976, foi candidato de novo e venceu. Em 1982, seu candidato foi eleito prefeito (Augustinho Rufino)…Seus eleitores eram volumosos e depois passariam a se chamar “Romeiros do Padre Zuzinha”.

Mas nos primeiros dias do mês de outubro de 1983, se sentiu mal e foi levado às pressas para o Hospital Prontocárdio em Caruaru, porém, infelizmente, não resistiu…Santa Cruz inteira chorou. Uma multidão incalculável lotou a principal avenida da cidade que hoje recebe seu nome! Até uma estátua foi erguida em sua homenagem na mesma avenida que tem seu nome. Seu enterro foi o maior da nossa história e, em termos proporcionais, nunca será superado, pois a multidão que foi se despedir parecia ser maior que a população do município…Padre Zuzinha foi o maior vulto (como sacerdote e como prefeito), mas o ser humano, homem caridoso, sensível, desapegado dos bens materiais, era muito maior!

Na igreja ou na prefeitura, nunca mais tivemos ninguém como ele. O tempo passa, passa muito depressa, e quanto mais passa o tempo, quanto mais se distancia aquele 05 de outubro de 1983, temos uma certeza maior de que Padre Zuzinha foi a maior personalidade da nossa história…O “ser humano” do coração mais humano que pisou o solo onde pisamos hoje – e se tornou eterno – na história de Santa Cruz do Capibaribe!

Santa Cruz do Capibaribe, 05 de outubro de 2021Notas: Avenida, Escola, Estátua, Fundação Beneficente, Medalha de honra ao mérito, entre outras, recebem o nome de Padre Zuzinha; Depois que se candidatou a prefeito, seu partido político não perdeu nenhuma eleição na cidade (1968, 1972, 1976, 1982) e em 1988 seu nome ainda pesou e o candidato do seu partido venceu. Só em 1992, cerca de dez anos após sua morte, o partido adversário venceu a eleição.

Fotos: 1. Padre Zuzinha celebrando uma missa na Igreja Matriz de Santa Cruz do Capibaribe; 2. O padre ainda muito jovem, praticamente um menino, possivelmente no Sítio Várzea Grande; 3. Quando se recuperava do atentado que sofreu em 1969; 4. Enterro do Padre Zuzinha, o maior de toda a nossa história; 5. Dando o pontapé inicial numa partida do Ipiranga (por volta de 1970), clube de que foi o presidente em 1938; 6. Igrejinha onde fica seu túmulo no Cemitério São Judas Tadeu. No dia de finados, é o túmulo mais visitado da nossa cidade, desde sua construção na década de 1980.

Igrejinha onde fica seu túmulo no Cemitério São Judas Tadeu. No dia de finados, é o túmulo mais visitado da nossa cidade, desde sua construção na década de 1980 – Foto: Divulgação

Por Clécio Dias

Bruno Muniz 06 out 2021 - 10:45m

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