Economia Banco do Brasil reduz quadro e fecha 361 unidades

Banco do Brasil reduz quadro e fecha 361 unidades


O Banco do Brasil (BB) anunciou, ontem, o terceiro Programa de Desligamento Voluntário (PDV) em seis anos. O objetivo é conseguir uma adesão de até 5 mil dos atuais 92,1 mil funcionários. Isso representará uma redução de 5,4% do quadro de pessoal e uma economia em torno de R$ 3 bilhões até 2025, se houver adesão total esperada, de acordo com fontes da instituição.

No programa, está prevista uma remuneração incentivada de R$ 10 mil a R$ 450 mil para quem aderir ao Programa de Demissão Extraordinário (PDE), dependendo do perfil de cada trabalhador e do tempo de serviço. O prazo para a adesão vencerá no próximo dia 5 de fevereiro. O BB também lançou um Plano de Adequação de Quadros (PAQ) para remanejamento de pessoal. 

Essas medidas fazem parte do plano de reestruturação, que espera ganhos de eficiência e otimização de 870 pontos de atendimento no país. O pacote ainda prevê o fechamento de 112 agências, de sete escritórios e de 242 postos de atendimento, totalizando a desativação de 361 unidades. O objetivo é ampliar a digitalização da instituição, focando mais em agências virtuais e nos serviços pelo aplicativo, que possui 19,4 milhões de usuários –– menos de 30% dos 72,5 milhões de clientes do banco. 

O plano propõe, também, a conversão de 243 agências em postos de atendimento e a transformação de 145 unidades de negócios em lojas BB. A economia líquida estimada com essas medidas é de R$ 353 milhões, em 2021, totalizando R$ 2,7 bilhões até 2025, conforme o comunicado da instituição assinado pelo vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores do BB, Carlos José da Costa André. A economia total com o enxugamento é em torno R$ 5,7 bilhões, em cinco anos. 

Até setembro de 2020, o BB tinha 12.483 postos de atendimentos próprios, dos quais 4.370 são agências. O banco, no entanto, não informou, nem mesmo aos sindicatos, a localização das 112 agências que serão fechadas porque pretende “fazer uma comunicação específica aos clientes”. 

Críticas 

A Associação Nacional de Funcionários do Banco do Brasil (ANABB), por exemplo, não poupou críticas.

“Além de sobrecarregar uma rede na qual os funcionários têm se desdobrado para prestar serviços de qualidade, alcançar metas e suportar severas pressões e cobranças, a medida desconsidera a realidade brasileira, a dimensão geográfica do país e a necessidade de manter atendimento presencial para milhares de brasileiros”, afirmou o presidente da ANABB, Reinaldo Fujimoto, em nota. 

O Sindicato dos Bancários de Brasília também alertou que o enxugamento deve gerar mais transtornos aos clientes e usuários.

“O funcionalismo do BB, já atônito e aflito no meio de uma pandemia, não aguardava como resposta um ataque direcionado na forma de demissões, política de descenso, diminuição de dotação, extinção de cargos e funções, fechamento de unidades, rebaixamentos, ‘redistribuição” de cargos’”, disse Kleytton Morais, presidente a entidade, em nota postada no site da entidade. 

Para a economista Juliana Damasceno, especialista em contas públicas e pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), o impacto fiscal de R$ 5,7 bilhões para o programa de reestruturação é baixo.

“O governo não consegue privatizar as estatais e, muito menos, realizar um programa bem estruturado para reduzir despesas e incentivar a produtividade dos servidores”, lamentou, criticando, ainda, a falta de detalhamento das agências que serão fechadas. 

Diante dos poucos avanços no programa de privatizações do governo Jair Bolsonaro, a frustração neste ano será ser inevitável, na avaliação da economista Elena Landau.

“Não sai nem Valec, quanto mais banco público”, lamentou a ex-diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e responsável pelo programa de privatização do governo Fernando Henrique Cardoso. 

O secretário-geral da Associação Contas Abertas, Gil Castello Branco, lembrou que o banco precisa se posicionar melhor no mercado para continuar competitivo.

“O BB cumpre funções públicas e sociais importantes, mas também é uma entidade financeira que precisa atuar de forma competitiva. A própria pandemia mostrou a necessidade de aprimoramentos operacionais e digitais”, defendeu.

Jefferson Felipe 12 jan 2021 - 9:19m

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