Destaques Sem casos confirmados, três cidades de PE se esforçam para evitar coronavírus

Sem casos confirmados, três cidades de PE se esforçam para evitar coronavírus


Mirandiba, Manari e Solidão são as únicas cidades de Pernambuco que não registram nem casos leves nem graves do novo coronavírus. (Fotos: Prefeituras de Mirandiba, Manari e Solidão.)

Em 12 de março de 2020, Pernambuco registrou as primeiras infecções pelo novo coronavírus.

Ao longo destes três meses de pandemia, até essa quarta-feira (10), apenas três cidades não registraram casos: Solidão, Manari e Mirandiba. Os dados são do Instituto de Redução de Riscos e Desastres (IRRD), coletados com a Secretaria Estadual de Saúde (SES) e o e-SUS, do Ministério da Saúde. Esses municípios estão localizados no Sertão, distantes de grandes polos, como Recife ou Petrolina.

No entanto, segundo especialistas, isso não significa que o vírus não esteja circulando nessas localidades, que aumentaram a vigilância em saúde e o controle de quem entra e quem sai.

Quem mais se aproximou de ter um caso confirmado foi Solidão. Uma profissional de saúde testou positivo para a Covid-19 nesta semana. No entanto, como ela mora em Tabira, município vizinho, não entra para as estatísticas da localidade.

“Tivemos dois casos de moradores da cidade suspeitos, mas foram descartados após a realização de testes rápidos”, conta a secretária de Saúde da cidade, Damiana Alves.

De acordo com o monitoramento do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), aferido nessa quarta (10), Solidão está com 41,7% da população em isolamento social. Mas Damiana acredita que as pessoas estão, sim, respeitando as determinações sanitárias.

“Desde o início, a gente começou a distribuir máscara, dar orientações ao público, fechamos a feira livre. E também monitoramos todos os visitantes. Quem chega de fora tem que ficar em isolado por 14 dias, assim como quem apresenta sintomas”, afirma.

Também foram instaladas barreiras sanitárias nas três entradas da cidade. A pessoa recebe orientações e tem a temperatura medida.

“Quem vem de uma área muito contaminada é orientado a voltar”, explica a secretária. Também foram criados três leitos específicos para tratamento da Covid-19, em uma ala da Unidade Mista Maria Jesuíno da Silva. O espaço conta com dois respiradores e é dedicado a casos leves e moderados. Casos graves são transferidos para outros municípios, como Afogados da Ingazeira, que sedia a X Gerência Regional de Saúde (Geres).

Abordagem educativa em Solidão, no Sertão do estado. (Foto: Divulgação/Prefeitura de Solidão.)

A secretária reconhece que a cidade realizou poucos testes:

“Foram seis pessoas porque, de acordo com os protocolos do Ministério da Saúde, não houve a necessidade de fazer outros. O material também não foi enviado para o Laboratório Central de Pernambuco (Lacen, no Recife), foram testes rápidos”.

Com a baixa demanda e como o ministério já encaminha material, a cidade só comprou 40 testes rápidos. “Agora, com a reabertura do comércio, vamos fazer a testagem de comerciantes, mesmo que eles não apresentem sintomas, para continuar a vigilância”, explica.

Problema diferenteMirandiba fica a quase 470 quilômetros da capital pernambucana. É a mais distante das três cidades sem casos. Apesar da pressão causada pelo novo coronavírus, a preocupação principal é com a dengue.

“Tem sido o nosso problema mais grave. Já virou uma epidemia”, relata a secretária de Saúde do município, Izabela Diniz. Até a quarta, eram 24 casos notificados – quatro deles já confirmados. 

Para Izabela, alguns fatores ajudam a cidade a ficar longe do vírus.

“O município só tem dois acessos, que estão com barreiras sanitárias há 90 dias; e não há bancos por aqui, apenas lotéricas e correspondentes em vários locais, o que ajuda a dispersar aglomerações. Também suspendemos serviços de transporte intermunicipal, como as lotações”, discorre.

Quanto ao comércio, a feira pública da cidade também passou a só ser permitida nas sextas, desde que seja disponibilizado álcool em gel e todos usem máscaras, além de manter distância de 2 metros entre cada barraca. Os serviços não essenciais foram autorizados a abrirem pelos próximos 30 dias, em caráter de teste.

“Os comerciantes também tem se articulado para estimular o consumo do comércio interno, porque muita gente dependia de ir para Serra Talhada ou Salgueiro. Isso evita que as pessoas saiam da cidade e se contaminem, além de ajudar a economia municipal”, analisa.

A fiscalização nas ruas também continua forte.

“A gente aborda quem não está usando máscara. Em estabelecimentos, conversamos com o proprietário, alertamos clientes. Temos buscado o diálogo. Muitas vezes as pessoas não acreditam no risco. você pode até não acreditar, mas deve respeito aos outros”, aponta.

Mirandiba está alerta ao coronavírus, mas epidemia de dengue preocupa mais. (Foto: Instagram/Prefeitura de Mirandiba.)

Mirandiba recebeu cerca de R$ 34 mil diretamente do Ministério da Saúde. Parte desse dinheiro foi utilizado para abrir leitos de retaguarda nas unidades mistas municipais e comprar insumos, como equipamentos de proteção individual (EPIs) e álcool em gel. Os leitos criados são para casos leves e moderados. Os graves serão transferidos para o Hospital Regional Inácio de Sá, em Salgueiro, cidade que sedia a VII Geres.

O índice de isolamento em Mirandiba, de acordo com a medição do MPPE, é de 36,9%. Izabela reconhece que, apesar de não ter sido detectado, o vírus possa estar circulando na cidade.

“Gostaríamos de testar assintomáticos, mas o protocolo do ministério diz que só podemos realizar exames rápidos após o sétimo dia. E também sabemos que é inviável testar todo mundo, não há insumos suficientes”, pondera.

13 pessoas, ao todo, foram testadas. Três delas, que ficaram internadas em Salgueiro, tiveram amostra encaminhada para o Lacen. Nenhum deu positivo. Para melhorar a situação, a cidade comprou – com recursos próprios – 500 testes rápidos. Dois deles já foram utilizados. 

Barreira sanitária em Manari. (Foto: Divulgação/Prefeitura de Manari.)

Precaução Manari é a cidade com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Pernambuco – 0,487, considerado muito baixo pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entretanto, é um dos poucos locais que não tiveram registro de infecção pelo novo coronavírus. Ainda que não tenha casos, foi construído um hospital de campanha na cidade. Com 17 leitos e dois respiradores, ele irá atender casos leves e moderados. Casos graves vão para Arcoverde.

A secretária municipal de Saúde, Jucianny Carvalho, acredita as medidas preventivas tomadas em março refletiram nesse resultado zerado de agora.

“Fortalecemos ações nas áreas de maior vulnerabilidade social e capacitamos em massa todos os profissionais de saúde, para identificar e atender casos suspeitos. As barreiras sanitárias nas entradas da cidade funcionam em horário estendido, fizemos visita porta a porta na zona urbana e rural, levando esclarecimentos e conscientização, reorganizarmos filas de lotéricas e aumentamos a equipe de vigilância”, exemplifica.

Segundo o ranking do MPPE, Manari tem 41,8% da população em isolamento. Apesar disso, Jucianny afirma que a população vem se conscientizando.

“Compramos testes rápidos também, para que em uma eventual necessidade possamos fazer testagem de assintomáticos. Todos os nossos profissionais de saúde foram testados, e nenhum testou positivo para a Covid-19”, pontua

Mais motivos para ficar em alerta O infectologista Demetrius Montenegro, do Hospital Oswaldo Cruz, explica que essas variações fazem parte do dinamismo de uma pandemia.

“Não dá para dizer que nessas cidades não há circulação do vírus, até porque ninguém teve uma situação de maior gravidade identificada. Vai ter um momento que vai chegar casos, assim como aconteceu em outras regiões”, alerta.

“As secretarias municipais dessas cidades devem ficar em alerta, para que a população informe qualquer sintoma suspeito de infecção respiratória, busque uma unidade de saúde e faça exame para saber é ou não um caso de Covid-19”, orienta.

Outro ponto a ser considerado é o fato de ser cidades distantes e pequenas, com predominância de zona rural.

Falta de casos confirmados não significa que o vírus não esteja circulando nessas cidades, afirmam o infectologista Demetrius Montenegro, do HUOC, e o pesquisador Jones Albuquerque, do IRRD. (Fotos: Bruna Costa/Esp. DP. e Roberto Ramos/Arquivo DP.)

Já o pesquisador Jones Albuquerque, vice-coordenador do IRRD, questiona a testagem.

“A tendência de casos em Pernambuco está positiva, mas é porque a Região Metropolitana do Recife passou por um lockdown, fez muitos testes. Enquanto a RMR está com uma tendência boa, as cidades do interior ficam com má tendência”.

O ideal seria ter mais testes e laboratórios aptos para detectar o coronavírus pelo estado.

“Precisaríamos de laboratórios mínimos de análise biomolecular no interior para prover testes mais ágeis. Mas um exame de Covid-19 exige um protocolo de risco biológico sofisticado (NB3), que precisa ser certificado por diversos órgãos. E isso leva tempo. Sem isso o cara que faz a análise vai começar a adoecer, porque não sabe operar dentro desse nível de risco”, salienta.

Jones também não acredita que o vírus não esteja circulando nessas três cidades.

“Mas isso é crença. Evidência ainda não há, por causa do teste. Imagina só a pressão que as prefeituras não estão passando para tentar argumentar com a população de que é necessário manter o isolamento?”, questiona. “Números são abstrações. Nós é que definimos o que eles significam”, finaliza.

Números
População estimada (2019)
Manari - 21.434 
Mirandiba - 15.390
Solidão - 6.007
Fonte: IBGE

Percentual de isolamento (10/06)
Manari - 43,8%
Mirandiba - 39,1%
Solidão - 41,7%
Fonte: MPPE
Jefferson Felipe 12 jun 2020 - 9:47m

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